O mia patria si bella e perduta!

     Não se trata de exibição trazer esse título em italiano. Nem é original. Trata-se de um dos versos do terceiro coro da famosa ópera Nabuco, de Verdi, Va pensiero. Não encontrei nada mais perfeito para expressar o sentimento de muitos brasileiros, neste momento da história: Ó minha pátria, tão bela e perdida.

     Perdida no meio de uma pandemia que já matou mais de cem mil brasileiros.

     Perdida por encontrar-se mergulhada num caos político, sem líderes confiantes que apontem uma solução capaz de convencer.

     Perdida por não saber o que fazer com a fome e o desemprego de tantos brasileiros, agora agravados pelos efeitos da Covid -19.

     Perdida porque as vozes das diversidades que se levantam são abafadas pelo clamor populista, engrossado até por estudantes enroscados na mediocridade.

     Perdida porque não consegue erradicar a corrupção que continua corroendo as entranhas do país, em várias dimensões.

     Esse ponto a que chegou a situação não se deu da noite para o dia. Ele tem suas raízes e história. É a ponta ameaçadora de um iceberg que veio se expandindo lentamente. Com maior visibilidade, de repente, afastando a névoa que o cobria, instalaram-se, entre nós, o ódio, a intolerância, a violência na rua e dentro de casa, a aparição de fanáticos etc. Até a religião tomou cores ideológicas, desenterraram-se valores há muito ultrapassados para satisfazer os guardiões da nova ordem.

     E a mentira? Sim, a mentira disseminou-se de forma institucional a ponto de se confundir com a verdade. As redes sociais são manipuladas para combater as instituições que sustentam a democracia, e os adeptos aplaudem o apócrifo como dogma.

     A democracia está perdendo seu esteio principal: o povo. Antes o sustentáculo da democracia, assentado desde o famoso discurso de Lincoln, em Gettysburg. Hoje, fanatizado, o povo tornou-se manobra de marqueteiros, especialistas em neurociência, blogueiros e toda a parafernália das redes sociais. Acrítica, a massa eclética, composta de ignorantes e doutores, optou por seguir suas emoções despertadas, e busca, sem roteiro, um culpado por suas frustrações. Então, passa a reivindicar mudanças (quaisquer que sejam), desde que lhe tragam mais benefícios, mandando às favas o discurso democrático e a defesa dos direitos humanos que, segundo seus líderes, não enchem barriga de ninguém.

     Há um vácuo de lideranças no Congresso, o que faz ressaltar o valor de tantos legisladores e líderes que ali já tivemos, capazes, em seus tempos, de despertar respeito e confiança.

     Não. Não é isso que queremos para nossa pátria. O Brasil clama por atitudes que revelem novas lideranças. Novas atitudes que tragam respeito e confiança em nossas instituições, na liberdade de imprensa, na liberdade de reclamar seus direitos com os mecanismos constitucionais de que dispomos. Precisamos de novos caminhos ou novos jeitos de andar, como disse o poeta português.

Por: Lourival Serejo

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará, e
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