SÃO PAULO VI

     Recebi com inteira satisfação a notícia da canonização do papa Paulo VI, em outubro passado, sob a aprovação do papa Francisco. Inseriu-se, então, um novo santo no catálogo da Igreja Católica Apostólica Romana: São Paulo VI.

     Minha admiração por Paulo VI vem desde a minha juventude, no tempo em que a publicação de uma Encíclica era recebida como um best seller pelos católicos, notadamente pelos jovens preocupados com o destino na humanidade.

     Giovanni Battista Montini era italiano da Brescia. Teve uma formação acadêmica notável, conquistando o doutorado em Filosofia, Direito Canônico e Direito Civil. Depois de ocupar importantes cargos na administração da Igreja e percorrer a carreira eclesiástica com reconhecido mérito, foi eleito papa, em 1963, com o desafio de prosseguir a obra renovadora iniciada por João XXIII. Escolheu e assumiu o nome de Paulo VI, com a predisposição de inspirar-se na vocação missionária do apóstolo Paulo.

     A meu ver os pontos máximos do pontificado de Paulo VI foram a coragem de concluir o Concílio Vaticano II, idealizado e começado pelo seu antecessor, e a disposição de deslocar-se das muralhas do Vaticano para conhecer a vida e os problemas dos católicos pelos cinco continentes. Para a América Latina, destaca-se a sua presença em Medellín, na Colômbia, em 1968, durante a Assembleia-Geral dos Bispos. Lembro-me do entusiasmo de padre Eider falando-me da importância do Documento de Medellín para a Igreja latino-americana.

     Guardo com forte lembrança o entusiasmo que me causou a leitura da encíclica Populorum Progressio.  Jovem idealista que queria transformar o mundo, li com avidez as mensagens de Paulo VI, absorvendo a energia que se desprendia de suas lições por um humanismo total, preocupado com  o desenvolvimento dos povos e a paz entre as nações. "Desenvolvimento é o novo nome da paz" proclamou o Santo Padre, na conclusão da sua Carta. E disse mais: "A paz não se reduz a uma ausência de guerra, fruto do equilíbrio sempre precário das forças. Constrói-se, dia a dia, na busca de uma ordem querida por Deus, que traz consigo uma justiça mais perfeita entre os homens".

     Ao ler sua biografia recentemente e assistir ao filme "Paulo VI: o papa da misericórdia", tomei conhecimento da sua preocupação com os rumos da política italiana desde quando ainda era padre, sendo um dos entusiastas da fundação do partido da Democracia Cristã. Desse período, nasceu sua amizade por Aldo Moro, que veio a ser primeiro-ministro, ao tempo em que foi assassinado pelas Brigadas Vermelhas.

     A canonização do papa Paulo VI, no momento político conturbado que sacode as nações, deve servir de inspiração para buscar em suas lições sempre atuais o equilíbrio e o empenho por uma convivência fraterna e duradoura entre os homens e as nações, contra o racismo, a xenofobia, o nacionalismo que isola e a intolerância.

     Em tempo de Natal, que São Paulo VI nos abençoe e ilumine as mentes e os corações de todos, a fim de despertar em cada um o sentimento de solidariedade para com os excluídos.

     Feliz Natal

     Por: Lourival Serejo

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará,
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