A agonia dos correios

Este é o exemplo mais real de que os transtornos políticos, mais cedo ou mais tarde, afetam cada cidadão. Pior ainda quando esses transtornos vêm atrelados à corrupção, causando prejuízos em todos os sentidos (lembram-se da denúncia de corrupção apurada na CPI dos Correios, em 2012?). Por isso que se abomina a conduta de quem brada sua opção de não querer saber nada de política. Santa ignorância. Aquele que  não se interessa por política acaba sofrendo suas consequências de braços cruzados. para mudar, temos que participar, pelo menos votando.

Estava planejando fazer este grito de alerta em favor dos Correios, quando li o editorial do jornal O Estado do Maranhão, no dia 31 de agosto: Correios agonizam. Fiquei muito comovido com a leitura daquela matéria, avaliando o quanto já significou, até certo período, ser funcionário dos Correios. O diretor de uma agência dos Correios, no interior, era uma autoridade prestigiada na cidade e, por isso, era um cargo ocupado por pessoas idôneas e responsáveis. O salário era digno e correspondente à importância do serviço prestado. O desembargador João Miranda costumava lembrar  que, ao chegar em Coelho Neto, como juiz, logo constatou que o carteiro tinha uma salário maior que o dele.

Suponho que há vários diagnósticos para explicar o descalabro administrativo que atirou os Correios na situação em que se encontra hoje. Minha avaliação é que tudo é resultado da corrupção e da falta de responsabilidade dos governos, ao longo dos anos, por escolheram pessoas incompetentes para administrarem essa estatal. Deixaram de lado técnicos idôneos e capazes em troca de afilhados políticos, deste ou daquele chefe ou partido. O resultado é que uma instituição tão útil à sociedade se encontra em estado de penúria, com carência de servidores e somando prejuízos sobre prejuízos. Sem recursos, sem servidores suficientes, sem perspectiva, os Correios estão afundando diante da insensibilidade da classe política e dos governantes.

A parte que me afeta nessa situação é o que chamei de "exemplo real". Sou um dependente dos Correios, desses que olha todo dia a caixa de correspondência, desses que tem a maior satisfação em receber por via postal uma encomenda ou qualquer outro material (cartas, livros etc.). A tudo isso, soma-se o fato de eu ser filatelista.

Em todos os municípios do Brasil, a presença dos Correios é o símbolo da integração nacional, o edifício que nos faz lembrar sempre de alguém que está esperando uma notícia, ou por onde recebemos as palavras amigas de um ente querido distante. Lembro-me bem de quando morava em São Bernardo, como promotor de Justiça. Naqueles idos, era uma cidade sem telefone e sem televisão. Todos os dias, às cinco horas da tarde, eu já ficava  alerta, esperando o ônibus da Transbrasiliana. Tão logo  ele passava em frente da minha residência, dirigia-me para os Correios e ali buscava logo alguma correspondência para me fazer sentir que não estava esquecido.

A demora na entrega de correspondências e encomendas, por falta de carteiros, já começa a afetar a população e não se faz nada. Até a velocidade do Sedex já está comprometida pelo excesso de entregas e pela  carência de servidores.

Ao longo desses anos de sua existência, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, fundada em março de 1969, tem prestado, com eficiência, o melhor serviço aos cidadãos brasileiros, nos mais distantes rincões deste imenso país. Antes, os Correios, há séculos e séculos, estiveram presentes na vida dos brasileiros, unindo pessoas e destinos.

Agora nos deparamos com essa situação crítica, comprometendo o funcionamento de uma instituição que sempre mereceu o respeito e a confiança da sociedade, por estar mais perto do povo e prestar um serviço com qualidade.

Salvemos os Correios, antes que seja tarde!

Publicado no Estado do Maranhão em 17 de set, 2017

Por: Lourival Serejo

Vice-presidente do TJ/MA e membro da Academia Maranhense de Letras

 

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará,
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