A correnteza da justiça

Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca. Am 5, 24.

A metáfora do profeta Amoz divulga a imagem da Justiça em movimento, como água para dessedentar a sede dos que clamam por uma sociedade mais igualitária e mais justa; como esperança para os que confiam em melhores dias; como ética para os que esperam ser acolhidos pelo outro; como libertação para os que vivem oprimidos; como morada para os que se refugiam em terras estrangeiras; como paz para os que vivem sob a guerra.

O homem precisa ter confiança no futuro e nas instituições como estímulo para seus projetos de vida. O descrédito pelas instituições leva às reiteradas práticas de linchamentos que vêm acontecendo e a outras injustiças praticadas no dia a dia. 

Quando aquele moleiro de Sans-Souci disse ao rei Frederico II que confiava nos juízes de Berlim, ele estava pondo toda a sua crença em que a Justiça não o deixaria desamparado. E sua fé e obstinação venceram o poder.

A Justiça, como dever da sociedade, já vem sendo defendida desde o sábio Tomás de Aquino. Mas o mercado internacional, egoísta e insensível, procura meios de estancar a correnteza da fraternidade e da igualdade social, estimulando o consumo e explorando o trabalho alheio.

No fluir da Justiça, qual o riacho de Amoz, ela deságua na ética e ambas se tornam um só corpo a revelar esta conclusão: Justiça é ética.  E, como ética, alcançou uma dimensão mais ampla, que abarca todo o planeta, como uma morada humana, conforme prega magistralmente Leonardo Boff.  

As cartas constitucionais que abrigam os direitos fundamentais têm contribuído para a afirmação do justo em políticas positivas e nas contendas judiciais. No artigo terceiro da nossa Constituição, encontra-se uma verdadeira arquitetura de um arco de compromissos republicanos que, se aplicados com vontade política, teríamos uma caudalosa correnteza de Justiça.

Com duas mãos e o sentimento do mundo, como disse o poeta Drummond, podemos fazer nossa parte para que o riacho por onde corre a Justiça nunca estanque seu fluxo.

Por: Lourival Serejo

Vice-presidente do TJ/MA e membro da Academia Maranhense de Letras

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará,
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