Este ano comemora-se o centenário da grande obra de James Joyce, o romance Ulysses, que revolucionou toda a literatura universal.
Para avaliar-se a importância desse livro, todo ano, no dia 16 de junho, grupos e fãs literários reúnem-se para comemorar o que foi denominado de Bloomsday. Esse nome é uma referência ao principal protagonista do livro: Leopold Bloom. A história narrada em Ulysses passa-se apenas em um dia: 16 de junho de 1904. Todos os anos, em Dublin, cidade onde se desenrola a narrativa, fazem uma passeata pelo mesmo trajeto que Bloom fez naquele dia.
No Brasil, além de várias comemorações, os Correios emitiram um selo em homenagem ao centenário de Ulysses.
Minha ligação com esse livro rende uma pequena história que passo a narrar.
Diante de tantos elogios, um dia resolvi ler a obra de Joyce. Comecei e larguei antes das 100 páginas. Não gostei; não entendi.
Passados alguns anos, os elogios continuavam apontando Ulysses como a obra mais importante da literatura universal, o livro que modificou toda a narrativa de ficção. Motivado por esses comentários, resolvi voltar à leitura. Cheguei a mais de 200 páginas, mas não suportei e larguei.
Os elogios continuaram.
Então, resolvi ler até o fim, começando pelas cercanias. Atirei-me à leitura da volumosa e pesada biografia de Joyce, escrita por Richard Elmann. Depois, li a Odisseia, de Homero; e mais dois livros que ensinavam a entender Joyce. A essa altura já tinha decretado James Joyce como meu inimigo, por tanta humilhação que estava me impondo.
Fui até ao fim e saí vitorioso por ter concluído Ulysses, com a tradução de Antônio Houaiss.
Após essa leitura, há 30 anos, escrevi, num caderno, esta tolice: “Finalmente, terminei a leitura de Ulisses. E agora, o que dizer desse livro considerado o modelo, o melhor livro lançado no século XX? O que pode minha ousada crítica acrescentar a tudo que foi dito sobre esse monumento literário? Para resumir tudo, digo que só sei que não gostei. De nada. Não compreendo como uma obra dessa conseguiu chegar a tanto, adquirir tanto prestígio, tanto elogio. Gênio para mim é um Dostoiévski, um Stendhal e outros. Esse Joyce é o escritor famoso que precisa de alguém para gritar: ele está nu.”
Mesmo repudiando, hoje, essa conclusão simplista, tenho conhecimento de alguns estudiosos e leitores famosos que nunca leram Ulysses ou que o leram e não acharam nada de louvável. Por exemplo, Virginia Woolf.
Recentemente, tivemos duas edições e traduções novas de Ulysses, publicadas no Brasil. Adquiri a traduzida por Caetano Galindo. Essas novas traduções empenharam-se em oferecer uma obra de leitura mais acessível. Agora, neste ano, a Companhia das Letras publicou uma edição comemorativa do centenário dessa obra-prima, com ampla fortuna crítica.
Estou marcando corrida, há muito tempo, para enfrentar as mil páginas dessa obra, só por teimosia ou para aferir o que não consegui com a primeira leitura.
A conclusão que tenho hoje, baseada nas críticas que li, e na reavaliação da minha leitura, é que realmente Ulysses é uma obra que merece todos os elogios. James Joyce fez um romance, gestado por sete anos, minuciosamente planejado, e o resultado foi uma produção literária que rompeu com todos os dogmas dos romances anteriores, trazendo uma nova arquitetura para o romance moderno, uma ousadia nos meandros da ficção, formando inúmeros seguidores
Por: Lourial Serejo
Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em
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