Como se formam os jovens de hoje?

 Por: Lourival Serejo 

 

Já se foram os tempos em que a formação dos jovens ficava a cargo dos padres, principalmente nas cidades pequenas. Os pais não tinham diálogo com os filhos, nem tinham desembaraço para falar sobre certos assuntos. Então, quando os rapazes completavam dezesseis anos, pediam aos padres que explicassem a eles sobre os mistérios da puberdade, sexualidade e namoro.

Ao lado dessa opção, havia os livros, todos com conotação religiosa. Lá em casa tínhamos uma coleção, em dois volumes, da autoria de Soares de Azevedo, com os títulos convidativos: Meu filho entra no mundo e Minha filha entra no mundo. Era uma edição de 1945.

Outros livros, apesar do toque religioso, não tinham a monotonia desses dois; eram livros de leitura agradável porque baseados em fatos reais, histórias antigas e curiosidades. Com essas características eram os dois livros do bispo de Veszprem, Dom Tihamer Toth: O moço educado e O moço de caráter, ambos publicados pela editora Vozes.

O melhor de todos, lido por gerações e gerações de rapazes, era O diário de Dany, de Michel Quoist. Para as moças, era O diário de Ana Maria, do mesmo autor. Não faltavam ainda os livros de João Mohana e o sempre presente em quase todas as casas: A nossa vida sexual, de Frizt Kahn, que era lido às escondidas.

E hoje?

Não há mais leituras nem padre e, quase sempre, nem os pais. Toda a formação do jovem atual é feita pela internet, sem limites e sem qualquer freio religioso ou familiar. As exceções são raríssimas.

É quase impossível a um pai conseguir fiscalizar as atividades de um adolescente no submundo da internet. Se controlar o celular e o computador do filho, ele usa os do amigo. É a luta contra a natureza: se fechar as portas, ela sai pelas janelas. O resultado dessa nova onda é a erotização precoce da adolescência e o amadurecimento antes do tempo.

Alguns psicólogos aconselham os pais a se tornarem colegas dos filhos e entrarem com eles no mundo virtual e dos jogos eletrônicos, para, só então, controlarem, com o diálogo, os excessos.

Nesse contexto, como se trata de um problema educacional, portanto, de ordem pública, a cooperação e a atuação dos professores seriam decisivas, desde que tivessem treinamento para tanto e o apoio do Estado.

Todas as famílias com adolescentes estão enfrentando esse desafio. É o preço que se paga pelo desenvolvimento da tecnologia. Nunca foi tão correto dizer, em relação a esses jovens: o futuro a Deus pertence.

Diante da minha estupefação com tantos aplicativos e ferramentas novas, meu neto de sete anos rebateu-me: “Eu acho isso muito bom, vovô”.

Talvez essa opinião do meu neto demonstre que minha geração está por fora dessa nova etapa e precisa aceitar as inovações como a chegada de uma outra “onda”, da qual não fazemos parte.

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará,
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