FRATELLI TUTTI

     O papa Francisco tem contribuído ativamente com a divulgação de mensagens que servem para a conscientização dos povos, para a defesa de um mundo melhor para vivermos como irmãos, cada qual ostentando sua dignidade e exercendo seus direitos fundamentais.

     A Encíclica Fratelli Tutti traz lições profundas de sabedoria oportunas para o momento inusitado em que estamos vivendo, em razão da pandemia.

     Dentre os efeitos provocados pela Covid-19, está o da visibilidade da pobreza oculta e desamparada da nossa sociedade, resultante do nosso modelo sócio-econômico.

     Oportuna é a censura que Sua Santidade traz ao termo “minoria” por conter, em si, “as sementes do isolamento e da inferioridade”(131). Os despossuídos há muito deixaram de ser minoria. Estão cada vez mais crescendo e reclamando os direitos que são negados, a começar pelo direito à alimentação.

     A disseminação das disputas pessoais e da concorrência do mercado sufocam qualquer atenção à fraternidade responsável. O resultado é o mundo continuar nas sombras do cada qual por si.

     O grito de Manaus, pedindo socorro na pandemia, foi um clamor pela solidariedade, que, na expressão de Francisco, é “nos sabermos responsáveis pela fragilidade do outro”(115). Esse é um exemplo de como a fraternidade foi sufocada pela ganância econômica.

     Muito pertinente para o atual momento por que passamos, principalmente no Brasil, é a advertência de Sua Santidade de que a política não deve se submeter à economia. E foi exatamente o que vimos no enfrentamento (ou desconsideração) da pandemia. O resultado foi o excesso do número de mortes. Nas palavras do papa Francisco, “a política deixou de ser um debate saudável sobre projetos a longo prazo para o desenvolvimento de todos e o bem comum, limitando-se a receitas efêmeras de marketing cujo recurso mais eficaz está na destruição do outro” (18).

     Em Fratelli Tutti, o papa Francisco fornece-nos uma visão geral do que exige o sentimento de fraternidade para compartilharmos das necessidades da nossa Casa Comum: a eliminação da fome, a busca do diálogo, o combate ao racismo, o cuidado com intoxicação do mundo digital, a inclusão da periferia, a atenção para um ambiente saudável, a promoção de encontros de amabilidades e a falta de consciência histórica a respeito dos direitos humanos.

     Todas essas propostas sintetizam-se na descoberta do próximo como aquele que nos pede atenção e reconhecimento da sua cidadania. Num curioso caso de semântica, na França, em razão da Covid-19, ressurgiu um velho termo para expressar esse apelo de cuidado aos vulneráveis: benevolência.

     Cada encíclica do papa Francisco e suas lições, em livros ou isoladas, tem justificado a satisfação de todos os cristãos com o seu Pastor competente na direção do seu trabalho universal.

     Por: Lourival Serejo

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Lourival Serejo

O escritor Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará, em 198
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