NAS DOBRAS DAS ELEIÇÕES

     Eleições são o termômetro que mede a temperatura da democracia. A agitação do período eleitoral é sadia para manter viva essa forma de regime político e para  a conscientização dos eleitores.

     Ainda há pensadores contemporâneos que se opõem às eleições, como David Van Brouck, autor de um livrinho terrível, “Contra as eleições”, no qual defende a substituição dos atuais sistemas eleitorais pelo antigo sorteio, sob alegação de que vivemos a síndrome da fadiga democrática e que as eleições tornaram-se um guerra midiática.

     Nos últimos anos, as ameaças contra a democracia cresceram de forma assustadora em todos os recantos do mundo, inclusive nos Estados Unidos, considerados a pátria da democracia moderna, a terra de Lincoln, que a definiu, de maneira mais sintética e profunda, como o governo do povo, para o povo e pelo povo.

     A grande vantagem de termos eleições bienais é a oportunidade de praticar as regras democráticas com mais assiduidade e, também, de pararmos para fazer uma avaliação crítica sobre os governos atuais, além das classes sociais marginalizadas adquirirem mais visibilidade.

     As eleições municipais são as mais competitivas, principalmente no interior do estado. Em cada cidade, o eleitor não quer só eleger seu candidato mas também derrotar o vizinho. Grande parte da população depende da prefeitura, principalmente os sanguessugas. E o município é a unidade mais visível da Federação. Você abre a porta da rua e depara-se com o município.

     As propagandas e as promessas não mudaram seus programas, sempre enfatizando o propósito de melhorarem a saúde e a educação. Parece até um clichê. Aqui e ali surge uma ideia com ares de novidade, na área de transporte e urbanização.

     As falas dos candidatos ressentem-se de empenho em apoiar as diversidades sociais em suas reivindicações, combater os preconceitos e eliminar a fome, enfrentar as consequências da Covid-19, superar a violência com propostas sociais ousadas que resgatem os jovens das garras das organizações criminosas.

     O eleitor precisa ficar atento ao programa de cada candidato. Às vezes, o cidadão se esquece da força que tem seu voto, assim como o elefante desconhece o alcance da sua força e foge do leão. Não deve deixar-se empolgar com promessas superficiais e  não utilizar a poderosa arma do voto com a necessária destreza cidadã. Pior ainda quando vende seu voto, o que é a degradação da cidadania.

     Certa vez, num abrigo americano para surdos e mudos, uma pequena plateia estava ouvindo um discurso de Ronald Reagan pela televisão. Então, seus integrantes começaram a rir. Chamados para explicar o motivo do riso, disseram que ele estava mentindo, porque a sua expressão facial não correspondia com aquilo que ele falava.

     Essa lição serve ao eleitor para fazer uma leitura mais atenta do que os candidatos estão prometendo para melhorar a sociedade, tornando-a mais justa e desenvolvida para assegurar uma vida mais digna para todos.

     Outro problema sério que despontou nas últimas eleições é a divulgação de fake news, as mentiras divulgadas nas redes sociais para desestabilizar determinadas candidaturas. O eleitor deve atentar para cada onda de fatos que chega ao seu celular e não se tornar instrumento de propagação. A verdade está sendo sufocada por essa prática deletéria de criação e propagação de notícias falsas.

     Nestas eleições, felizmente, ainda não me chegou às mãos nenhuma mensagem enganosa que tenta demonstrar e pôr dúvida na eficiência das urnas eletrônicas.

     O Brasil tem o privilégio de ter um sistema eleitoral sério, com resultado da votação legítimo. As urnas eletrônicas são confiáveis em todos os aspectos. Só os inimigos da democracia põem em dúvida a eficiência das urnas, testadas que já foram  centenas de vezes.

     Portanto, caro eleitor, no dia 15 de novembro não deixe de votar em seu candidato escolhido por sua vontade.  Dessa maneira você está contribuindo para nossa democracia e o melhoramento da nossa cidade.  E vamos esperar que os eleitos tenham mais compromisso com a ética, a responsabilidade e a probidade administrativa.

     Por: Lourival Serejo

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará, e
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