SUICÍDIO DE JOVENS. O QUE ESTÁ HAVENDO?

      Neste setembro, volta-se, sob o simbolismo da cor amarela, a discutir sobre o suicídio e suas causas. Desta vez, com a constatação agravante do aumento de suicídios entre jovens, inclusive no Maranhão. Suicídios e automutilações.

     O que leva um jovem ao suicídio? A resposta mais pronta que se ouve aponta para a depressão. Ocorre que a depressão reclama também a sua causa. E então chega-se ao “é” das coisas. Dizia-se que, ao contrário dos idosos, os jovens não têm tanto amor à vida, porque ainda não descobriram o seu valor.

     Li pelo Jornal Pequeno, edição de 4 de julho passado, que, segundo informações do Centro de Valorização da Vida, ocorreram 123 suicídios em São Luís, somente no mês de maio deste ano. Desses casos, muitos eram jovens. Também li sobre vários casos de suicídios de jovens no interior do estado. Inclusive, lembro-me de que uma jovem de 16 anos, em Santa Luzia, deixou um bilhete em que dizia: “Eu odeio minha vida, não tenho vontade de viver mais...”.

     Tomei conhecimento e conferi a informação de que os hospitais da cidade têm recebido muitos jovens vítimas de tentativa de suicídio. Por precaução, até leitos especiais para recebê-los já existem.

     Tenho ouvido, de analistas e psicólogos que atendem jovens com freqüência, a declaração de que eles os procuram com o apelo para a indicação de um remédio para curar a tristeza. Imaturos ou emocionalmente desamparados, não sabem lidar com a tristeza passageira. Alguns são esquecidos no próprio casulo familiar e não encontram apoio para uma conversa ou um pedido de ajuda.

     Não há dúvida de que os extremos e as carências da vida moderna deixam o jovem perdido numa encruzilhada existencial. Falta-lhes um propósito de vida, a luta por um ideal. Alguns têm tudo o que desejam enquanto outros vivem a angústia da pobreza.

     Instalado esse caos, muitos procuram as drogas; outros, as aventuras radicais (inclusive o crime); os mais frágeis são atingidos pela depressão.

     Recentemente, fiz a leitura do último livro de Andrew Salomon: Um crime da solidão, reflexões sobre o suicídio (Companhia das Letras, 2018) . Ali, o autor informa que, a cada quarenta segundos, alguém comete suicídio; que o suicídio pode vir do ódio a si mesmo, da hereditariedade, da depressão, da carência de atenção, dentre outras causas. E adverte: “Se quisermos conter a violência (homicídio-suicídio) precisamos começar por conter o desespero”.

     Nesse cenário, tenho me lembrado de João Mohana, com suas palestras para os jovens sobre a busca de um sentido para a vida, na linha de Viktor Frankl.

     Alguma coisa precisa ser feita, com a consciência de que estamos diante de um problema de políticas públicas. A Lei nº 13.819, recém-publicada, ao instituir uma política nacional de prevenção da automutilação e do suicídio, já dá sinais de que esse problema está sendo levado a sério.

     Afinal, perder um jovem é comprometer o futuro da sociedade. Ou como diz Salomon Andrew, na obra citada: “Toda vida que se perde para o suicídio é trágica”.

     Por: Lourival Serejo

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará,
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