IGREJA, PODER E FÉ

          Fui a Roma e não vi o papa. Entretanto, pude sentir o poder da Igreja, em cada canto da Itália por onde passei. Logo firmei a convicção de que a imponência daquelas igrejas servira como um dos fatores da força que sustentou o poder e a fé da Igreja Católica por muitos séculos. Somam-se a esse, outros detalhes que se encontram por toda parte. Ainda hoje nos deparamos, nas ruas de Roma, com a imagem de Nossa Senhora, em cada canto, como as atuais câmeras de segurança, a velar e a vigiar os passos dos católicos.

          O luxo e a gravidade das igrejas – cada qual mais bela – reduziam cada cristão que ali adentrava a um minúsculo pecador. Dos púlpitos suspensos vinham as ameaças aos transgressores dos mandamentos da moral cristã. E a Igreja sedimentou seu poder e sua glória por todo o território então conhecido. Por mais indiferente que seja, o visitante atual ainda se curva à simbologia e à eloquência daquelas imagens e esculturas ali presentes. Quem não se emociona contemplando o Moisés de Michelangelo?

          Transitar pelas ruas de Roma é como apoderar-se de uma parte da História, principalmente aquela que constava nas páginas dos nossos livros do curso ginasial. Não há quem não sinta essa emoção.

          No Vaticano, aquela multidão de gente em busca da história, da arte e do fortalecimento da fé conforta os católicos ao sentir o quanto sua religião ainda tem adeptos e admiradores de todo o mundo.

          Diante daqueles traços artísticos parados no tempo, sustentados pela beleza, emoção e respeito, ocorreu-me a suposição de quanto o papa Francisco necessita de competência e apoio para sobrepor-se àquele ambiente conservador e conseguir renovar a Igreja e adaptá-la a uma sociedade cada vez mais exigente e descrente.

          Percebi também os efeitos positivos das viagens que Sua Santidade faz para, deslocando-se daquelas circunstâncias, conhecer a realidade de outros países. Deve-se a Paulo VI essa postura dinâmica que alterou a comodidade papal.

          A escolha de um papa fora dos limites da muralha de Roma, da distante América Latina, foi uma dádiva divina que a Igreja recebeu para ampliar sua visão e enfrentar os desafios que se renovam a cada dia.

          No interior de cada igreja, diante daquelas imagens bem esculpidas, o viajante sente o quanto a religião teve um papel fundamental na vida daquele centro político do mundo, por séculos e séculos.

          O ambiente é quase o mesmo, mas acabou-se o tempo do Roma locuta causa finita. Agora a Igreja tem que convencer e renovar-se para manter a fé e o poder que sempre deteve.

Por: Lourival Serejo

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Lourival Serejo

O desembargador Lourival de Jesus Serejo Sousa nasceu na cidade de Viana, Maranhão. Filho de Nozor Lauro Lopes de Sousa e Isabel Serejo Sousa. Formou-se em Direito, em 1976, especializando-se em Direito Público, pela Faculdade de Direito do Ceará,
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